Pela primeira vez vim à São Paulo passar uns dias (tinha vindo apenas em "bate-volta") e tomei meu tempo para conhecer a cidade. Caminhando pela Av. Paulista, tropecei em um pequeno parque e resolvi entrar, ali estavam várias pessoas caminhando com seus cães.
O fato que me chamou atenção foi quando dois cães (com seus respectivos donos) se viram e começaram a puxar suas guias enlouquecidamente para poderem se cheirar, haviam encontrado um companheiro de espécie e desejavam se conhecer. Enquanto isso, os donos dos animais pararam e permitiram que se cheirassem, mas os seres humanos, claramente encabulados e balbuciando palavras como "olha o amiguinho" em volume muito baixo, nem se olhavam.
Isso me fez tentar entender o porquê da situação, por que os donos dos animais não fizeram igual estes últimos e aproveitaram aquele momento para se conhecerem também?
Vi um vídeo no 9gag uma vez que mostrava um cara dizendo que não conseguia andar no mesmo ritmo com outras pessoas na rua, que quando isso acontecia ele secretamente apostava corrida com a pessoa, como se houve algum problema em 2 pessoas terem a mesma cadência de passadas, após uma reflexão no vídeo ele chega à constatação que essa situação é normal, e que não tem problema algum em dividir a calçada com alguém do seu lado, não há motivos para se sentir desconfortável.
Mas por que nos sentimos estranhos perto de pessoas que não conhecemos e não interagimos com elas?
A resposta, com certeza não e simples, e não cabe em uma simples postagem, mas estou mudando isso, tentando ser mais parecido com os cães do que com seus donos no parque. E o mais interessante é que as pessoas normalmente respondem muito bem ao estimulo, como se também estivessem com vontade de conhecer você, mas não o fazem, sem saber a razão.
sábado, 7 de junho de 2014
O fato de não interagirmos como cães
terça-feira, 29 de abril de 2014
Não, não somos todos macacos...
Então, vamos contextualizar antes de começar a criticar.
Jogaram uma banana em campo e o jogador alvo da fruta, em um ato muito espirituoso, pegou-a e comeu. O ato do jogador, eu achei fantástico, não deu moral para o ato racista e ainda fez uso produtivo do objeto, ingeriu nutrientes para o jogo. Lindo, espetacular, de uma fineza ímpar!
15 minutos depois deste episódio, as redes sociais já estavam tomadas da frase "Somos todos macacos" encabeçada por um apresentador de TV. Novamente, poucos minutos depois camisetas com os mesmos dizeres já estavam à venda pela bagatela de 70 reais (em uma camiseta, sério? 70 reais?
Debatendo com amigos sobre o fato e lendo algumas coisas, chegou-se a conclusão que toda a campanha publicitária permeando o fato já estava pronta, apenas esperando o próximo ato de racismo, algo infelizmente ainda comum no mundo. Era uma questão de tempo até que um brasileiro fosse alvo desta descriminação. Mas, também não julgo a campanha em si, Luciano Huck não está errado em querer ganhar dinheiro, errado está quem paga 70 conto em uma camiseta tendenciosa.
Não, não somos todos macacos (não vou entrar na enfadonha discussão biológica, eu entendi o trocadilho), não somos todos iguais, e é exatamente por isso que digo que essa campanha é babaca. Se somos todos iguais não temos diferenças, se não temos diferenças não temos que respeitar o próximo pela individualidade, uma vez que, se somos todos iguais, não existe individualidade.
A única maneira de acabar com qualquer tipo de preconceito não é igualar as pessoas, é destacar suas diferenças, mostrar que elas existem sim, e devem ser respeitadas! Eu sou branco, ele é negro, o outro é asiático, e todos nós devemos nos repeitar, devemos aceitar as diferenças e a individualidade de cada um. Colocar todos em um mesmo saco não ensina nada, fechar os olhos para as diferenças é varrer a poeira para debaixo do tapete.
Se você é alto e seu amigo é baixo, se você é negro e seu amigo é branco, se você é heterossexual e seu amigo é homossexual, não importa, você tem que respeitá-lo em sua totalidade.
Eu não sou igual a ninguém, e você também não é, e essa é a beleza da coisa. Temos que ser capazes de olhar as diferenças, entendê-las e aceitá-las, não devemos fingir que elas não existem.
Então, não! Não somos todos macacos! E o único certo nessa história, é o Dani Alves!
sábado, 29 de março de 2014
Dor muscular tardia (atualização)
Se você chegar em seu professor de musculação na academia e perguntá-lo por que o seu músculo dói, com certeza ele irá dizer que é devido às lesões (ou microlesões) causadas pelo exercício. Caso ele seja descritivo irá dizer que a contração causa pequenos machucados no músculo, talvez uma analogia com uma corda sendo tracionada com muita força. Essa é a resposta padrão para a pergunta acima. Mas será que é exatamente assim?
Essa afirmação, por si, não está errada, mas o processo que vemos isso acontecer em nossas mentes está. Pensamos nesse estresse como algo que "arrebenta" as fibras, exatamente igual uma corda que começa a soltar seus pequeno fragmentos teciduais, até o ponto de ficar toda esgarçada.
Um colega, ao qual tenho muito apreço, disse que não sentimos a dor no momento devido ao que ele chamou de "hormônio do estresse" (referindo-se possivelmente ao Cortisol) e isso me fez escrever sobre esse fenômeno já tão bem entendido no meio científico, mas ainda mistificado no âmbito das academias.
Um modelo proposto por Armstrong (1984) e reafirmado por Armstrong, Warren & Warren (1991) diz que com as contrações vigorosas, ocorre um desbalanço estrutural célula muscular, tal dano permite a entrada de íons de cálcio presentes no meio extracelular para a célula muscular. No meio intracelular os íons de cálcio sobrecarregam a mitocôndria (responsável pela respiração celular) e não permitem a retirada do excesso de cálcio, causando a morte celular por anóxia (falta de oxigênio).
Antes de continuar com o processo que irá levar à dor muscular (não é a morte celular que causa a dor), um estudo de Newman et al. (1983) mostrou que imediatamente após o exercício, o tecido muscular apresenta pequenos níveis de lesão, após 24 horas o nível se eleva e atinge o máximo em 48 horas. Já percebeu que após um treino muito forte seu músculo dói mais 2 dias depois do que no dia seguinte ao treino?
Bem, isso ocorre porque a morte celular joga "restos de célula" por todo interstício (espaço entre as células), isso atrai monócitos que irão limpar a área, por assim dizer. Essa resposta é inflamatória e é a inflamação que causa a dor muscular, e essa resposta atingi seu máximo em 48 horas. Por isso que dói depois e não durante.
Pense bem, caso houvesse lesões de fibra mesmo, rompimento, você cairia de dor e não aguentaria continuar. Outro ponto importante, sempre que há uma lesão devido à tensão excessiva (comum em atletas de culturismo e levantamento de peso) o que se rompe é o tendão, romper o músculo pela tensão gerada por ele mesmo é igual tentar estrangular a si mesmo, simplesmente não dá.
Ou seja, não são as lesões que causam a dor, tão pouco elas são causadas pelo estresse mecânico, é a transdução do processo mecânico para químico que gera todo o desconforto.
Nota atualizada (12/10/2014)
Um outro modelo propõe que a morte da célula se dá devido à ativação da Calpaína ( proteinase dependentes de cálcio) e da fosfolipase A2 que age nas proteínas da membrana celular, mas muito pouco nas miofibrilas.
**Nota: Todo o processo descrito acima é relacionado ao treino de hipertrofia clássico, outros modelos de treino que geram hipertrofia também passam pelo mesmo processo, mas a via metabólica pode ser diferente.
Referências:
Armstrong RB. Mechanisms of exercise-induced delayed onset muscle soreness: a brief review. Med Sci Sports Exercise. 1984; 16:529-38.
Armstrong RB, Warren GL, Warren JA. Mechanisms of exercise-induced muscle fibers injury. Sports Med. 1991; 12:184-207
Newman DJ, McPhail G, Mills KR, Edwards RHT. Ultrastructural changes after concentric and eccentric contractions of human muscle. J Neuro Sci. 1983; 61(1):109-22.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
A proibição dos suplementos e a revolta desinformada.
Bem, praticamente todo praticante de musculação ou de algum tipo de esporte
O que eu mais vejo agora é a revolta das pessoas que ingerem tais suplementos ou que os defendem (algo justo, não julgarei o mérito de tais pessoas), porém, gostaria de analisar criticamente cada um dos suplementos proibidos e a explicação da ANVISA sobre tal atitude.
Os trechos transcritos foram retirados do site da da abril (de onde peguei a imagem, inclusive)
1º - O suplemento Isofast-MHP foi suspenso "por apresentar BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada) e não se enquadrar em nenhuma das classificações descritas nos artigos 5º e 29 da Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 18, de 27 de abril de 2010"
- Okay, os gritos são: (Que absurdo, BCAA é bom, não faz mal, qual o problema? Temos bolachas recheadas e refrigerantes nas prateleiras, isso sim deveria ser banido)
Ah, e as bolachas e refrigerantes dizem os componentes da composição nos rótulos!
2º - O Alert 8-Hour-MHP foi proibido "por conter taurina em sua composição" — segundo a Anvisa, a taurina é permitida em bebidas energéticas, mas proibida em alimentos para atletas.
Bem, esse a regra já está explicada, só pode em bebidas. Exatamente o motivo de só ser permitido em líquidos é um mistério pra mim, mas é a lei. E se você quiser vender qualquer produto em qualquer país, deve seguir a legislação daquele país.
3º - Probolic-SR-MHP se deu "por não haver comprovação de segurança de uso do produto".
Porra, muito obrigado né! Ninguém ousaria tomar um medicamente que viesse na caixa "NÃO SABEMOS EXATAMENTE SE ESSE PRODUTO É SEGURO PARA HUMANOS", mas com suplementos tudo bem? De forma alguma, não se sabe se esse produto é seguro, ele não foi testado, não tem como dizer, baseados em fatos que isso não pode fazer um mal absurdo. No caso do produto, a questão está no óleo de borragem, esse óleo é extraído da planta com o mesmo nome e tem propriedades diuréticas e sudoríferas e não existem estudos a respeito dos seus possíveis efeitos colaterais. E antes que alguém diga que se pode vender nos EUA é porque é seguro, por favor, assista ao documentário "Bigger, Stronger and Faster" que vocês verão que na terra do Tio Sam não há fiscalização nenhuma.
4º - Carnivor (esse a galera ficou revoltada) O suplemento foi suspenso "por apresentar teores de Vitamina B12 e B6 acima da ingestão diária recomendada e as substâncias Glutamina alfa-cetoglutarato (GKC), Ornitina alfa-cetoglutarato (OKG), alfa-cetoisocaproato (KIC), que não foram avaliadas quanto à segurança de consumo como alimentos".
Pra começar, se você paga 400 reais para comer proteína de carne em pó, por favor, se dirija ao consultório psiquiátrico mais próximo, por favor, porque você está, com certeza, completamente maluco. Mas, mantendo o foco. Doses excessivas de vitaminas podem ser tóxicas (ex: D, E, B3, B6, B9 e A - essa última inclusive causando mal formação fetal quando ingeridas em excesso por gestantes) então, um produto conter altas dosagens dessas vitaminas, é sim, muito perigoso e irresponsável. Os outros componentes caem no mesmo critério do suplemento anterior, não se sabe se é seguro.
Eu particularmente fico muito feliz e tranquilo em saber que a ANVISA está fazendo a fiscalização, e já discuti até a estafa sobre o uso de suplementos, não pretendo fazê-lo novamente tão cedo. Esse post serve apenas para esclarecer as razões de cada uma das proibições, eu, honestamente, não concordo com todas, mas entendo perfeitamente a sua lógica.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Não esqueça de se inserir na geração...
Atualmente é altamente veiculado na internet vários textos sobre os atuais "jovens adultos" (18-28 anos).
Os textos, em geral, são muito bons, demonstram muito bem as situações que essas pessoas enfrentam hoje, e como elas reagem mal às frustrações da vida. O objetivo aqui não falar sobre esses textos (acho que todos que entram aqui pra ler isso já os leram), mas dizer que você que leu esses textos e ficou balançando a cabeça positivamente ao ler os exemplos, ou na parte que diz "você provavelmente conhece alguém assim, na faculdade ou no trabalho". Pois é, você realmente conhece alguém assim, que não aceita as dificuldades da vida, que quer estar rico aos 30 anos, que diz que o chefe é menos capaz que ele e que se acha um dos melhores no que faz. VOCÊ!!!!
Pense bem, faça a coisa mais difícil de todas; se auto-critique! Pense em como você se acha acima da média na sua profissão, como você não aceita as críticas dos seus superiores, como você acha que o seu chefe chegou à posição que ele está hoje puxando saco e veja como você quer ter um padrão de vida muito mais alto, mas não quer ter que trabalhar anos pra isso!
Um dos segredos de um bom texto é ser genérico e não atingir diretamente seu leitor, ele deve deixar lacunas em branco para que o leitor mesmo se insira e se identifique. Se você vai falar mal da geração que está lendo o texto, não se pode apontar o dedo para a pessoa que lê, mas sim falar sobre as pessoas que estão do lado dela. Bem, você está do meu lado e eu estou do seu!
Se continuarmos a olhar apenas para as pessoas do lado, e não para os nossos erros, as coisas não vão mudar. Todo mundo lê os textos sobre a "geração Y" ou "geração EU" e fica puto com o que lê, pensa que essas pessoas tem que ter um choque de realidade e aprender que não são especiais, que não são as melhores, então fofo(a), VOCÊ NÃO É ESPECIAL, EU NÃO SOU ESPECIAL, não somos os melhores na nossa profissão (você pode ser muito bom), seu chefe sabe mais que você, você não vai subir na empresa em 2 anos e ficar rico, para isso é preciso trabalhar anos, muitos anos! Você, não as pessoas do seu lado, VOCÊ!
Assim como o gatinho da foto, você se acha muito maior e mais forte do que realmente é, e muitos livros e textos de auto ajuda querem te induzir a isso. Não estou falando que você é um perdedor, ora, um gato consegue fazer muitas coisas legais, mas ele não é um leão, e nunca será. Mas ele pode ser um gatinho bem massa!
Acho importante que possamos identificar os nossos erros e tentar mudar em nós mesmo antes de tentar mudar o mundo!
Os textos, em geral, são muito bons, demonstram muito bem as situações que essas pessoas enfrentam hoje, e como elas reagem mal às frustrações da vida. O objetivo aqui não falar sobre esses textos (acho que todos que entram aqui pra ler isso já os leram), mas dizer que você que leu esses textos e ficou balançando a cabeça positivamente ao ler os exemplos, ou na parte que diz "você provavelmente conhece alguém assim, na faculdade ou no trabalho". Pois é, você realmente conhece alguém assim, que não aceita as dificuldades da vida, que quer estar rico aos 30 anos, que diz que o chefe é menos capaz que ele e que se acha um dos melhores no que faz. VOCÊ!!!!
Pense bem, faça a coisa mais difícil de todas; se auto-critique! Pense em como você se acha acima da média na sua profissão, como você não aceita as críticas dos seus superiores, como você acha que o seu chefe chegou à posição que ele está hoje puxando saco e veja como você quer ter um padrão de vida muito mais alto, mas não quer ter que trabalhar anos pra isso!
Um dos segredos de um bom texto é ser genérico e não atingir diretamente seu leitor, ele deve deixar lacunas em branco para que o leitor mesmo se insira e se identifique. Se você vai falar mal da geração que está lendo o texto, não se pode apontar o dedo para a pessoa que lê, mas sim falar sobre as pessoas que estão do lado dela. Bem, você está do meu lado e eu estou do seu!
Se continuarmos a olhar apenas para as pessoas do lado, e não para os nossos erros, as coisas não vão mudar. Todo mundo lê os textos sobre a "geração Y" ou "geração EU" e fica puto com o que lê, pensa que essas pessoas tem que ter um choque de realidade e aprender que não são especiais, que não são as melhores, então fofo(a), VOCÊ NÃO É ESPECIAL, EU NÃO SOU ESPECIAL, não somos os melhores na nossa profissão (você pode ser muito bom), seu chefe sabe mais que você, você não vai subir na empresa em 2 anos e ficar rico, para isso é preciso trabalhar anos, muitos anos! Você, não as pessoas do seu lado, VOCÊ!
Assim como o gatinho da foto, você se acha muito maior e mais forte do que realmente é, e muitos livros e textos de auto ajuda querem te induzir a isso. Não estou falando que você é um perdedor, ora, um gato consegue fazer muitas coisas legais, mas ele não é um leão, e nunca será. Mas ele pode ser um gatinho bem massa!
Acho importante que possamos identificar os nossos erros e tentar mudar em nós mesmo antes de tentar mudar o mundo!
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Eu sou u homem de Fé!
É esperado que a maioria das pessoas assista à um debate assim como assiste à uma luta de boxe, torcendo para um dos lados e aplaudindo as respostas, como se dali devesse sair um vencedor louvado e perdedor desacreditado, porém, ao ouvir o debate como ele deve ser ouvido (com uma mente pronta para absorver informações dos dois lados e tentar melhorar seu entendimento sobre o tema proposto) eu percebi que sou um homem de fé!
O debate é fantástico e rende uma discussão que duraria uma vida, mas quero abordar um pequeno ponto.
Me considero um homem da ciência, que precisa de evidências para embasar todas as respostas e em meu mundo não havia base para achismos e suposições. Ao ouvir o debate, eu comecei a me questionar sobre meus paradigmas, e, pelo menos em mim, nasceu uma dúvida. "A própria ciência não exige fé?"
Acredito que sim.
No debate o Dr. Dawkins cita o principio Antrópico e o princípio de multiversos para dizer o porque não há como existir um criador e que existimos por que sim. Uma ideia da qual eu compartilho. Porém, a teoria de que possam existir infinitos universos é apenas uma teoria, e para que se possa citá-la como fonte de referência exige fé na mesma.
Todas as postulações científicas são baseadas e observações, mas sempre há diferentes pontos de vista e modos de fazer essas observações. No campo da física teórica uma teoria é válida quando se encaixa em um modelo matemático, por exemplo. Mas uma mesma teoria se encaixa em um modelo físico e não se encaixa em outro. Por isso existem pessoas que defendem suas teorias e as coisas que acreditam ser mais plausíveis. E acreditar em algo é ter fé.
Desta forma, eu sou um homem de fé, pois tenho fé na ciência!
sábado, 23 de novembro de 2013
A hipocrisia da ajuda divina
O mérito desta observação não é meu, mas sim de um amigo que me contou a história.
Deus Ex
Há poucos dias me foi mostrado um e-mail redigido por um acadêmico e para acadêmicos em seu meio de trabalho. O documento narrava a história de um professor, o qual seu aluno acabara de receber um prêmio por uma publicação. Até ai tudo normal, apenas um professor exaltando o mérito de seu aluno, porém o professor relata que estava inseguro ao enviar o trabalho e decidiu pedir uma iluminação divina, algum sinal do que deveria fazer. E é ai que começa...
Para resumir a maluquice história: Ele descreve como uma entidade divina lhe disse, com palavras claras que ele iria ganhar o prêmio, que estava predestinado e que deveria submeter o trabalho, pois deus, ele mesmo, havia rolado os dados para sua vitória.
Neste momento é que entramos na parte da hipocrisia!
Vamos supor que sim, o deus do professor o favoreceu de certa forma causando sua vitória no concurso, ok? Sendo assim, tal professor usou de uma vantagem sobre os outros participantes, mas tal vantagem é aceita, ora bolas, foi o deus que quis, e deus é bom, é uma vantagem "branca", por assim dizer. (Nesse ponto estamos supondo que deus realmente tem tal poder, colaborem comigo aqui...)
Mas no mesmo contexto, se alguém redige um e-mail discorrendo sobre como ele conseguiu ganhar um prêmio usando de vantagem, dizendo como um dos organizadores do evento lhe havia dito que lhe daria o prêmio, essa pessoa seria excomungada do meio, taxada de anti-ética e outros adjetivos piores. Mas poxa vida, deus (para as pessoas religiosas) tem poder total sobre as coisas, tem mais influência do que o organizador do evento, por que uma vantagem é aceita e a outra não?
Pelo fato de uma ser subjetiva e a outra ser prática? Okay, vamos pensar em outro quadro...
Se o mesmo e-mail fosse escrito, porém substituindo a palavra deus pela palavra diabo e o professor lhe dissesse como o diabo havia lhe dito que ganharia o prêmio, as reações poderiam ser até piores do que na hipótese do organizador do evento, e agora estamos falando de duas vantagens subjetivas!
Se o mesmo e-mail fosse escrito, porém substituindo a palavra deus pela palavra diabo e o professor lhe dissesse como o diabo havia lhe dito que ganharia o prêmio, as reações poderiam ser até piores do que na hipótese do organizador do evento, e agora estamos falando de duas vantagens subjetivas!
Tal hipocrisia é algo que pesa contra certas crenças para mim, somente um viés é aceito, uma vantagem divida é perfeitamente normal. Não, não é, é uma vantagem, é trapaça e moralmente errado. Ou não...
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